domingo, 19 de fevereiro de 2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017


O GRANDE SILÊNCIO
O QUE INCOMODA A DIREITA

De repente, o ministro das Finanças anuncia que o défice em 2016 ficou não em 2,8%, 2,5%, 2,4% mas em 2,1% e o grande debate é em torno dos sms trocados entre Mário Centeno e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues. De repente, sabe-se que o défice passou de 3,1% em 2015 para 2,1% no ano passado e o que se discute acaloradamente é se haverá ou não uma nova comissão parlamentar de inquérito, desta vez incidindo especificamente nas trocas de mensagens entre Centeno e Domingues. De repente, devíamos estar a falar de coisas importantes para o país mas os noticiários e os comentários são dominados por uma troca de sms entre duas pessoas.
Sim, claro que é importantíssimo saber o que Centeno disse a Domingues. Claro que é óbvio que Domingues pôs como condição não apresentar, nem ele nem a sua equipa, as declarações de rendimentos e património. Claro que o ministro ou alguém por ele aceitou essa exigência. Claro que a decisão de alterar o estatuto de gestor público para responder a isso foi uma péssima e canhestra ideia. Claro que quem bichanou ao ouvido de Marques Mendes a publicação do diploma foi o Presidente da República. Claro que a partir daí, Centeno, que nunca quis mentir, se enredou em explicações cada vez mais sofridas e menos credíveis, até terminar com o famoso “erro de percepção” em que terá induzido Domingues. E agora? Pois, e agora?
Nunca nenhum político mentiu no parlamento? Nunca nenhum político mentiu numa comissão parlamentar de inquérito? Não vamos mais longe: no Governo anterior foi tudo de uma enorme lisura e verdade? O que Pedro Passos Coelho disse na campanha eleitoral foi o que fez depois quando chegou ao poder? Maria Luís Albuquerque nunca torceu a verdade no caso dos swaps? Cavaco Silva, no livro que ontem lançou, conta exactamente o que se passou aquando do famoso caso das escutas ao Palácio de Belém?
A direita tem desenvolvido nos últimos anos campanhas sistemáticas para denegrir os dirigentes de esquerda. Acusá-los de serem mentirosos é o primeiro passo. Já aconteceu com António Costa (vide as recentes acusações de Assunção Cristas no parlamento ao primeiro-ministro, quando se conhece o historial de Paulo Portas na sua relação com a verdade). Mas quando não chega vai-se mais longe. O lamaçal que foi lançado sobre vários dirigentes do PS durante o caso Casa Pia foi das manobras mais sujas que a democracia portuguesa conheceu.
Nada disso justifica as contradições de Centeno, nem que tenha aceite as exigências de Domingues, nem que tenha permitido que uma sociedade de advogados elaborasse ela própria o diploma. Tudo erros, tudo asneiras. Mas o Presidente da República deu sibilinamente o caso por encerrado e o primeiro-ministro mantém a confiança em Centeno.
Na verdade, o que a direita não suporta é que Centeno tenha provado que era possível trilhar outro caminho económico, com menos sacrifícios para os portugueses, e mesmo assim conseguir reduzir o défice para valores historicamente baixos, o mais baixo em 42 anos de democracia, coisa que a direita nunca conseguiu até agora. O que a direita não perdoa a Centeno é que tenha conseguido fazer isto colocando a economia a crescer um pouco mais do que se esperava, com o regresso do investimento, a subida das exportações, a melhoria do clima económico e do indicador de confiança.
É por isso que a direita quer abater Centeno. O homem tem um belo cartão de visitas para apresentar cá dentro e lá fora, junto dos seus parceiros do Eurogrupo. E o que importa ao país não são seguramente os sms que trocou com Domingues mas os resultados económicos das suas políticas. Para já, os segundos estão a ganhar por 10-0 aos primeiros.

in "Estátua de sal"

Agora o que é preciso é continuar a minorar o sacrifício para os portugueses, porque já se  viu que resulta.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

VERDADE OU MENTIRA

Na última reunião de Câmara, o vereador Francisco Cunha, no período antes da ordem do dia, afirmou para quem o quis ouvir.
Que Sónia Sanfona a atual candidata do Partido Socialista à Câmara Municipal, teria votado nele nas últimas eleições em 2013.
Espanto na sala.
Espanto não por se saber que Sónia Sanfona tinha votado no Francisco Cunha, mas espanto pelo facto de alguém poder revelar onde outra pessoa votou, coisa que em princípio só a própria sabe.
Se outra pessoa sabe, só pode ter sido por uma confidência.
E as confidências não se devem revelar em público.
Isso não se faz, senhor vereador.
Que coisa feia!
Que falta de ética!
Que irresponsabilidade!
Cara Sónia Sanfona, com amigos ou primos destes nem se precisa de inimigos.
*******
Mas agora a candidata do Partido Socialista tem um problema complicado para resolver.
À época a senhora era uma personalidade com algumas responsabilidades dentro do Partido Socialista.
Foi Deputada e até Governadora Civil nomeada por um Governo desse mesmo Partido.
E agora alguém que se candidatou por um Movimento criado pelo PMT e pelo PSD diz que a Senhora terá votado nele.
Disse bem   P   S   D  ou melhor Partido Social Democrata. O grande adversário político a nível nacional do seu próprio Partido.
Aqui ao pessoal da Taberna, até nos custa a acreditar, tal como ao Senhor Presidente da Câmara, que alguém sério possa fazer dessas coisas.
O seu camarada (ou devemos dizer companheiro) de Partido, o Vereador Pedro Gaspar, não deve ter ficado satisfeito com essa novidade.
Felizmente ele nem estava na sala.
Até nos custa pronunciar a palavra, mas temos de dizer, cheira-nos a ….. traição.
Isto não se faz senhora candidata.
Que coisa feia.!
Que falta de ética!
Que irresponsabilidade!
Caro Partido Socialista, com amigas ou responsáveis destas nem se precisa de inimigos.
Aqui na Taberna há quem chame a quem faz isso de vira-casacas, mas outros chamam de troca-tintas, nem sabemos bem quem tem razão.
Por estas e por outras o povo descredita nos políticos.
Com seriedade começa a haver poucos.
Mas felizmente ainda há alguns.
Nós aqui na Taberna sabemos quem são.
*******
Cara Sónia Sanfona, confessamos que somos seus simpatizantes.
Apreciamos mulheres bonitas (com o devido respeito).
Embora isso não chegue para votarmos em si.
Mas porque simpatizamos consigo, só esperamos uma coisa:
Que desminta aquilo que o primo afirmou.
Mostre que é uma mentira do primo, que o disse num momento único de vaidade. Mostre que foi uma difamação.
Ficaremos felizes se a senhora candidata mostrar que não é aquilo que aparenta ser.
Juramos.
Mas tem de fazer o desmentido no mesmo locar onde foi difamada.
De modo que o difamador a possa ouvir.
E nós todos na gravação vídeo.
Ou seja, fazê-lo ….
Numa reunião de Câmara

Se o não fizer, nós aqui na Taberna e o Povo de Alpiarça, tiraremos as devidas conclusões.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

 A CANDIDATA DEMOCRATA
O Partido Socialista de Alpiarça apresentou esta tarde, tal como o jornal O Alpiarcense já tinha noticiado em primeira mão, que Sónia Sanfona será a candidata, pelo PS, à presidência da Câmara Municipal de Alpiarça, para as eleições autárquicas 2017.
Realizou-se hoje, pelas 16 horas, a abertura da nova sede do PS de Alpiarça e a apresentação oficial da candidata Sónia Sanfona aos militantes do partido. A sede será a mesma que foi usada na primeira campanha de Joaquim Luís Rosa do Céu, em 1997, situada no número 346 da Rua José Relvas. Nesta cerimónia estiveram presentes, além dos militantes e simpatizantes do partido, o Presidente da Federação Distrital do PS de Santarém, António Gameiro, e o Deputado do PS por Santarém, Hugo Costa.
A candidata apelou à mobilização dos munícipes para que Alpiarça voltasse a ser dos alpiarcenses.

Parece que finalmente o Partido Socialista apresentou a sua candidata ao cargo de Presidente da Câmara.
Até aqui sem novidades.
Era o que se esperava.
Agora resta saber quem a vai acompanhar, qual a sua política de alianças.
Também gostaríamos de saber se a candidata do Partido Socialista estará mais próxima do PS ou do PSD.
Mas numa coisa começa mal, muito mal
A candidata apelou à mobilização dos munícipes para que Alpiarça voltasse a ser dos alpiarcenses.
Ou seja… se o povo de Alpiarça, livremente, no seu direito de voto, passar a votar no PS, Alpiarça voltaria a ser dos Alpiarcenses;
Mas então… se o povo de Alpiarça, livremente, no seu direito de voto, continuar a votar na CDU, Alpiarça já não será dos Alpiarcenses?

FOI UMA LICÃO DE DEMOCRACIA QUE NOS DEU.

Fernando Louro 

“A política não pode ser um vale-tudo”

ENTREVISTA PUBLICADA NO JORNAL 1/11/2016
Fernando Louro tem estado debaixo de fogo enquanto presidente da Assembleia Municipal de Alpiarça. A oposição acusa-o de falta de isenção e apelida as suas intervenções, enquanto presidente do órgão deliberativo, de “estalinistas”. Em entrevista ao nosso jornal, Fernando Louro responde a estas e outras acusações.
“Eu tenho dois amores…”: teatro e política – de qual gosta mais?

Não são comparáveis. A política é uma questão de cidadania e civismo. O teatro é um divertimento. Têm em comum o facto de levar ambos com seriedade e o facto de ambos me darem prazer.
Tem sido uma maravilha ter ajudado a subir ao palco pessoas com mais de 70 anos, que nunca antes o tinham feito, e fazê-lo com uma força, e competência, que me impressionam. Não quero perder isso.
Mas na minha vida tive muitos outros amores, o sindicalismo por exemplo.

Foi professor num tempo em que o ensino era muito diferente do atual. Não posso deixar de lhe pedir que teça uma comparação entre o ‘velho’ e o ‘novo’ sistema de educação.

Seria preciso um jornal inteiro para tentar fazer essa comparação. Mas direi que quando comecei a trabalhar as salas de aula estavam equipadas com enormes carteiras pesadas, como material didático tínhamos uns mapas pendurados na parede, um quadro negro e o giz, as crianças mais necessitadas podiam almoçar uma sopinha no refeitório, sendo obrigados a beber antes uma colher de óleo de fígado de bacalhau. Para a grande maioria das crianças a escola representava quase em exclusivo a fonte do conhecimento.
Nos dias de hoje, a situação é muito diferente, com condições de trabalho muito diferentes.
As novas tecnologias, começando pela televisão, que de início foi vista pelos professores como uma concorrente e hoje é vista como parceira, tal como o computador, etc…
O interessante é que vivi e participei em todas estas modificações. Mas gostaria de dizer que os professores hoje continuam a ser vítimas de muitos atropelos, e sobretudo, falta de consideração. São penalizados como todos os portugueses, mas são também penalizados em termos de carreira, o que corresponde a um outro imposto, grande, desigual, e a meu ver inconstitucional, e professores insatisfeitos, dificilmente conseguirão fazer uma escola feliz, como se pretende.

A seu ver, como descreve o processo evolutivo do município desde que a CDU tomou posse após os mandatos do PS?

No mandato anterior a CDU encontrou a Câmara sem dinheiro, sem crédito e sem fornecedores. Com uma dívida enorme, praticamente equivalente à totalidade das receitas da Câmara durante dois anos.
Com a reestruturação da dívida a situação melhorou significativamente, mas essa dívida tinha que ser amortizada.
Este mandato da CDU coincide com uma crise generalizada no país, com uma acentuada redução da nossa autonomia politica e financeira, com implicações nos Municípios.
Com as novas regras o número de trabalhadores da Câmara vão reduzindo todos os anos, sem a entrada de quem os possa substituir, as receitas com origem no Orçamento de Estado também são reduzidas constantemente, e a dívida tem de continuar a ser paga e amortizada.
Ainda assim, com escassos recursos, não deixámos de cumprir com os serviços de apoio à população a que nos habituámos.
E ainda tivemos a capacidade de realizar obras fundamentais na Casa-Museu dos Patudos, o Centro Escolar, o parque junto aos Paços do Concelho, os melhoramentos no parque do Carril, o espaço dos equipamentos de desporto e lazer junto às piscinas, isto para citar os mais relevantes que me lembro.
E ainda iremos proceder, pelo menos, à ampliação e reestruturação do Jardim Municipal, bem como, em 2017, às obras de recuperação das instalações da Escola José Relvas.
Tudo isso sem penalizar os contribuintes de Alpiarça, mantendo o IMI com a taxa mínima.
Considero assim um mandato bastante feliz, atendendo às circunstâncias adversas.

Em 2014, quando assumiu o cargo de presidente da Assembleia Municipal, quais foram os objetivos ideológicos a que se propôs enquanto no exercício da função?

Quando me candidatei ao cargo de Presidente da Assembleia Municipal, fi-lo numa lista de coligação, a CDU, cujos objetivos ideológicos estavam explanados no respetivo programa eleitoral.
Não sendo militante no Partido Comunista Português, fui toda a minha vida um homem de esquerda, com os valores de esquerda, e sempre procurei estar no lado certo da vida. Um pouco idealista, mas sempre do lado dos mais fracos e oprimidos.
Assim, com toda a naturalidade assumi pessoalmente os objetivos ideológicos da CDU, incluídos como já referi no seu Programa Eleitoral.
Mas também me propus objetivos pessoais, não de natureza ideológica, nomeadamente gerir a Assembleia com total isenção, no respeito pela lei e pelo regimento, e pelo respeito pelos restantes eleitos.

Tem conseguido manter-se fiel a esses princípios?

Sim, sem a mínima dúvida. Ainda assim, como Presidente da Assembleia Municipal fui adequando, fui modificando, os meus comportamentos.
Vejamos, comecei por marcar reuniões dos representantes de todas as bancadas, antes de cada Assembleia Municipal, a fim de prepararmos melhor os trabalhos e limarmos as arestas que pudessem existir.
Contudo, o representante do TPA nunca se dignou comparecer, nem ao menos procurou justificar-se do seu comportamento.Conclusão, deixaram de se realizar essas reuniões preparatórias pela sua inutilidade.
De início quis dar a todos os eleitos a oportunidade de explanarem as suas ideias, com muita permissividade no que respeita ao controle dos tempos, e as Assembleias acabavam inevitavelmente por terminar às 3h e 4h da madrugada.
Mas ninguém estava a jogar às cartas, terminavam a essa hora, porque os senhores deputados estavam a falar, a discutir ideias.
Mas fui criticado pela própria oposição a quem eu dava todo o tempo do mundo, muito para além daquilo que a lei e o regimento estabeleciam.
Lentamente, passei a fazer cumprir as regras com maior rigor, as assembleias passaram a terminar antes da uma, mas eu passei a ser chamado de estalinista.
Alguns deputados são uns brincalhões.

Como professor que foi: que nota dá ao comportamento dos deputados durante as reuniões da Assembleia Municipal?

Seria presunção minha pensar que poderia dar notas aos comportamentos dos senhores deputados. Mas não deixarei de dizer que alguns teriam necessariamente negativa, nomeadamente se analisarmos a falta de educação e o gosto por brincarem em trabalho. Alguns são muito maus como políticos, uma desilusão, mas muito bons na criatividade.

O TPA acusa a CDU, assim como o presidente da Assembleia Municipal, de não aceitar qualquer proposta que este movimento tenha apresentado até à data, quer seja através de votação contra ou, até mesmo, negando a apresentação destas propostas. Que justificação dá para esta acusação?

O TPA não tem razão. Foram várias as propostas por eles apresentadas, aprovadas com a condescendência ou com o apoio da CDU.
Mas seria bom que o TPA não esquecesse que aquilo que o povo de Alpiarça espera é que a CDU faça aprovar as suas próprias ideias e os seus próprios projetos, pois foi para isso que a CDU mereceu o voto maioritário desse mesmo povo.
O povo de Alpiarça achou por uma grande maioria que as propostas eleitorais da CDU eram melhores que as propostas das outras forças políticas e mais úteis para a nossa terra.
Gostaria que o TPA nos dissesse quantas propostas do Partido Comunista foram aprovadas na Assembleia da Republica, durante o período que eles, através do PSD, estiveram em maioria absoluta no Parlamento.
Ainda assim é obrigatório que a CDU saiba ouvir as forças minoritárias.
Mas não nos podem é obrigar a ouvir, sem um sorriso, as propostas tipo hortas comunitárias, que até podem ser interessantes em zonas urbanas, mas um disparate em zonas rurais como a nossa. É o que eu acho.

Voltando a esta questão que continua a ser motivo de altercação na Assembleia: está a ser preparado um voto de louvor conjunto à GNR para ser apresentado na próxima Assembleia Municipal como chegou a ser sugerido?

Como sabe, propus na última Assembleia Municipal que o voto de louvor à GNR novamente apresentado, depois de já ter sido rejeitado pela maioria, fosse retirado, para que se conseguisse uma proposta conjunta, consensual, de todas as forças políticas.
Insisti para que isso acontecesse.
Senti que aquela proposta iria de novo ser reprovada, até por uma questão de coerência política.
Eu não poderia permitir que uma instituição com o prestígio que a GNR tem, em menos de um ano, voltasse a ser discutida, eventualmente criticada.
Se o TPA quisesse sinceramente homenagear a GNR teria aceitado a minha proposta para consenso. Mas não, pouco se importam com a GNR, o que eles queriam era criar uma situação incómoda para a CDU.
Na Assembleia da República, tanto quanto julgo saber, este tipo de situações não poderia acontecer, pois uma proposta rejeitada pela maioria, só poderia voltar a ser de novo apresentada na legislatura seguinte.
Sobretudo por respeito pelos adversários políticos, que já manifestaram qual a sua posição sobre o tema.
No nosso Regimento não está prevista essa situação de poderem ser novamente apresentadas propostas anteriormente rejeitadas, em teoria a mesma proposta poderia ser apresentada em todas as Assembleias. Tentar matar pelo cansaço.
Situação ridícula e absurda, e considerei que o Regimento da Assembleia por não dar nenhuma solução para esta situação, tinha uma lacuna que a mesa se encarregou de integrar, nos termos do artº 61º do Regimento.
Assim, impedi a discussão da proposta, pelo respeito pela GNR e pelo respeito que se deve ter com os adversários políticos, que já tinham rejeitado a proposta recentemente.
O TPA não recorreu para o Plenário da deliberação da mesa, como poderia e deveria ter feito, no caso de discordância.
Irei sugerir à força partidária a que pertenço que proponha uma alteração ao Regimento, de maneira que este tipo de situações não possa voltar a acontecer.
Em seguimento da Assembleia Municipal de Setembro, era minha intenção convidar os representantes de todas as forças partidárias, para nos reunirmos e prepararmos em conjunto, um voto de louvor à GNR, consensual, para levar à próxima Assembleia.
Mas perante os últimos acontecimentos, com o pedido efetuado de uma Assembleia Municipal Extraordinária, com aquela Ordem de Trabalhos, considero não existirem mais condições para um diálogo frutuoso.
Falando em nome pessoal, deixei de estar disponível para dinamizar esse diálogo, mas ficaria muito feliz se fosse possível ele acontecer.
A política séria não pode ser um “vale-tudo”.
Devolvo assim as acusações que me foram feitas de falta de democracia, afirmando que um dos pilares da democracia é o respeito pelos outros, o respeito pelos adversários políticos.
Notória essa postura antidemocrática, no facto, entre muitos outros, da oposição do TPA, passar parte do tempo da Assembleia, a conversar no seu exterior, sem participar nos trabalhos.
Existem muitas pessoas em Alpiarça que me poderiam dar lições de democracia, mas curiosamente nenhum daqueles que me acusam, constam nesse rol.

O Fernando Louro adolescente viaja no tempo para encontrar o Fernando Louro do presente. Que diria ele da pessoa em que se tornou ou do seu percurso de vida?

Não imagino o que ele diria. Mas sei dizer que o Fernando Louro do presente tem muito orgulho da pessoa em que se tornou, e do seu percurso de vida. Sempre tive um enorme prazer em estar disponível para os outros.

Se estivéssemos num programa de rádio e eu lhe concedesse um minuto de “ante­na”, o que diria aos nossos leitores?
Aproveito para falar um pouco do requerimento apresentado pelo TPA/PS, requerendo a realização de uma Assembleia Municipal Extraordinária, cuja OT tinha como primeiro ponto a minha própria demissão e o outro ponto, mais um voto de louvor à GNR.
Este pedido de convocatória é uma palhaçada, uma vontade continuada de querer brincar com a democracia.
Surgiu como provocação e com a intenção de procurar desviar as atenções de coisas bem mais graves.
Nem sequer o número legal de assinaturas para entregar um requerimento válido foi conseguido.
Ou por vontade deliberada de brincar, ou por incompetência, apresentaram o pedido sem reunirem os requisitos mínimos para o poderem fazer.
Tive de indeferir o requerimento que devolvi, para o poderem retificar.
Se o voltarem a apresentar, formulado nos termos legais, obviamente marcarei a Assembleia Municipal Extraordinária solicitada, apesar de no mês de Novembro existir uma Assembleia Ordinária, obrigatória.
Mas presumo que isso não acontecerá, porque o importante está concretizado, com o ruído feito com a apresentação do não requerimento.
Mas falando de coisas realmente importantes, tenho perspetivas muito otimistas sobre o futuro de Alpiarça, e sobre esta política de rigor, praticada pelo executivo da CDU, de maneira que a dívida possa ficar reduzida ao mínimo, a fim de podermos ter um amanhã mais sorridente.


Alpiarça a obra do mandato


Em 2009, quando a CDU chegou à Câmara, existia uma dívida superior a 13.323.000,00€. A verdade é que o excedente no endividamento líquido ultrapassava os 3.500.000,00€, e o município estava completamente paralisado. Não havia a possibilidade de fazer novos empréstimos, o Tribunal de Contas não autorizava devido ao excesso de endividamento e os fornecedores não forneciam a Câmara, porque as dívidas já excediam, em muitos casos mais de um ano, os prazos de pagamento. Era um caos.
A verdade é que os eleitos da CDU no executivo do Município de Alpiarça, durante estes sete anos, têm vindo a reduzir a dívida cumprindo, assim, o plano de saneamento financeiro, aprovado em 2011.
Fez-se a obra de reabilitação da Casa dos Patudos superior a 1.200.000,00€;
Fez-se os arranjos exteriores da Casa dos Patudos superior a 1.100.000,00€;
Fez-se a Obra do Centro Escolar Abel Avelino superior a 1.000.000,00€;
Fez-se a obra de requalificação da Praça do Município no valor superior a 330.000,00€;
E fizeram-se muitos pequenos arranjos que foram integralmente pagos sem recurso a qualquer financiamento.
Não se pode fazer comparação com o anterior executivo PS, que fez algumas obras mas nunca as pagou na totalidade, havendo muitos processos judiciais, que foi a CDU que teve de fazer acordos de pagamento para as poder liquidar.
Em relação às taxas e licenças, e ao IMI, mantivemos as mesmas nos níveis mais baixos, não sobrecarregando assim as pessoas e as famílias.
O tempo é outro e o momento também, hoje os municípios têm leis muito mais restritivas no que diz respeito à Lei das Finanças Locais.
A CDU herdou uma dívida que anda a pagar, saneou as contas do município, temos passado o cabo das tormentas, por erros de gestão que outros cometeram e que a CDU alertou em devido tempo.
Mesmo assim, somos acusados pela nossa oposição de não estarmos a ir no bom caminho.
Hoje, apresentamos as contas com níveis de execução orçamental pouco habituais neste município, com valores superiores a 80%, sendo que, no tempo do PS, não chegavam muitas vezes aos 60%.
Por isto tudo e por muito mais que não foi dito, afirmo que o Plano de Saneamento Financeiro foi e é uma das maiores obras dos últimos anos no nosso concelho.
A nossa oposição diz que não estamos a ir no bom caminho. Qual é então o bom caminho, é voltar aos níveis de endividamento anteriores a 2009?
Não, não é isto que Alpiarça e os Alpiarcenses pretendem e precisam.
O que Alpiarça e os Alpiarcenses precisam é de continuar neste rumo, cumprindo o saneamento financeiro, sem descurar as competências do Município, aumentando os auxílios económicos escolares e aos jovens estudantes do ensino superior; aumentando o apoio às associações e coletividades, preparando, assim, o futuro de um Concelho que todos desejamos melhor.

Por: João Pedro Osório – CDU
Artigo publicado no Jornal